Uma disputa pública entre o Banco Itaú Unibanco e o portal de notícias Metrópoles transformou-se em uma das principais controvérsias envolvendo imprensa e comunicação corporativa no Brasil. O embate teve início após uma sequência de reportagens publicadas pelo conglomerado de comunicação pertencente ao empresário Luiz Estêvão, nas quais o banco foi acusado de adotar práticas consideradas abusivas contra clientes.
As reportagens do Metrópoles, assinadas pelas jornalistas Gabriela Furquim, Lilian Tahan e Isadora Teixeira concentraram-se principalmente em supostas cobranças indevidas de seguros e serviços financeiros ao longo de vários anos. O portal afirmou que milhões de consumidores poderiam ter sido afetados por descontos considerados irregulares, levantando estimativas bilionárias sobre os valores arrecadados pelo banco. As matérias também abordaram investigações, acordos com órgãos de defesa do consumidor, reclamações registradas e questionamentos sobre práticas comerciais da instituição.
O Itaú, por sua vez, contestou o conteúdo das reportagens. Em notificação extrajudicial enviada ao Metrópoles, a instituição financeira alegou que parte das informações publicadas continha distorções, projeções hipotéticas e ausência de contexto, além de afirmar que não teve espaço adequado para apresentar seus esclarecimentos. O banco também defendeu que sempre colaborou com a imprensa por meio do fornecimento de documentos, dados e porta-vozes.
“Factópoles”: a resposta do banco

Em uma iniciativa incomum para grandes empresas brasileiras, o Itaú lançou um portal próprio denominado Factópoles, criado exclusivamente para responder às publicações do Metrópoles.
Segundo o banco, a plataforma reúne notas oficiais, documentos e explicações sobre cada uma das reportagens que considera imprecisas ou incompletas. A instituição afirma que o objetivo é garantir transparência e assegurar o direito de resposta diante da repercussão das notícias. O site também lista dezenas de reportagens e publicações em redes sociais produzidas pelo Metrópoles nos últimos meses, acompanhadas da versão oficial do banco.
Já o Metrópoles sustenta que suas reportagens são baseadas em documentos oficiais, processos judiciais e informações obtidas durante investigações jornalísticas. Em resposta à contestação do Itaú, o portal chegou a propor a contratação de uma auditoria independente, custeada pelo próprio veículo, para verificar os dados relativos às cobranças questionadas, desde que a instituição financeira permitisse o acesso às informações necessárias.
Conflito desperta atenção do mercado e da imprensa
A disputa ultrapassou o campo jurídico e ganhou repercussão entre veículos especializados em comunicação, executivos do mercado financeiro, profissionais de relações institucionais e especialistas em direito da imprensa.
Analistas observam que o caso poderá servir de referência para futuras estratégias de comunicação entre grandes empresas e veículos jornalísticos. A criação de um portal específico para rebater reportagens, como fez o Itaú, representa uma estratégia pouco comum no ambiente corporativo brasileiro e levanta debates sobre direito de resposta, liberdade de imprensa, transparência e comunicação de crise.
Enquanto isso, o embate continua sendo acompanhado com atenção pelo setor financeiro, por profissionais de comunicação corporativa, entidades ligadas ao jornalismo e pelo próprio mercado, que avaliam os possíveis impactos institucionais e reputacionais para ambas as partes.





