As taxas dos DIs com vencimentos a partir de janeiro de 2028 avançaram nesta quarta-feira, com investidores realizando parte dos lucros recentes e reagindo ainda à possibilidade de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, ocupar uma diretoria no Banco Central.
Em uma sessão de forte queda do Ibovespa, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 12,705% no fim da tarde, com avanço de 5 pontos-base ante o ajuste de 12,653% da véspera. A taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 13,435%, com elevação de 8 pontos-base ante o ajuste de 13,358%.
Após as baixas recentes da curva a termo, a quarta-feira foi marcada pela elevação dos prêmios nos contratos a partir de janeiro de 2028, com parte dos investidores “comprando taxa” para realizar lucros. Este movimento esteve em sintonia com a queda de mais de 2% do Ibovespa, também penalizado pela realização de lucros.
Operador ouvido pela Reuters pontuou que a possibilidade de Mello ocupar a Diretoria de Política Econômica do BC foi um fator que contaminou os negócios por mais uma sessão, dando suporte à curva.
Economista heterodoxo com graduação e mestrado pela PUC-SP e doutorado pela Unicamp, Mello desagradou em um primeiro momento o mercado, que teme uma guinada “dovish” (suave na política monetária) no BC.
No fim da tarde de terça-feira, com a sessão regular dos DIs já encerrada, reportagem da Reuters informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encaminha para confirmar Mello.
A indicação do economista Tiago Cavalcanti, professor da Fundação Getulio Vargas e da Universidade de Cambridge (Reino Unido), também seria confirmada, neste caso para a Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução.
Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a máxima de 13,475% às 10h39, em alta de 12 pontos-base ante o ajuste da véspera.
O avanço das taxas no Brasil ocorreu em meio a um cenário de maior acomodação para os Treasuries, com os agentes no exterior ainda avaliando os impactos da indicação de Kevin Warsh para o comando do Federal Reserve.
Às 16h33, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha queda de 1 ponto-base, a 3,557%. Já o retorno do título de dez anos — referência global para decisões de investimento — mostrava estabilidade, aos 4,276%.
Fonte: Infomoney





