Em uma das coletivas mais duras de sua trajetória política, o prefeito de Manaus, David Almeida, fez ataques diretos ao governador Wilson Lima, aos senadores Omar Aziz e ao vice-governador Tadeu de Souza. Sobrou até para o senador Eduardo Braga, que permanece aliado político dele. Ao responder perguntas consideradas espinhosas, confirmou rompimentos políticos, denunciou suposta perseguição e chorou ao lembrar que esta segunda-feira (23/02) marca um mês da morte do filho Benedito.
Emocionado, afirmou que a esposa, Isabelle, ainda está no puerpério. “Só Deus sabe o que eu passo nas madrugadas”, disse, ao relatar o impacto pessoal da perda. O prefeito classificou como a decisão “mais difícil da vida” a escolha de disputar o Governo do Amazonas.
No campo político, deixou claro que o rompimento com Tadeu de Souza é definitivo. Em tom acusatório, declarou que o vice-governador foi o responsável por indicar a empresa de passagens aéreas que organizou sua viagem ao Caribe, ponto que se tornou alvo de questionamentos recentes.
Anabela
A coletiva girou em torno da prisão de Anabela Cardoso Freitas, ex-chefa de gabinete do prefeito, na Operação Erga Omnes, da Polícia Civil. David a classificou como “decente, leal e honrada”. Segundo ele, Anabela possui renda mensal aproximada de R$ 75 mil — somando pensão de viúva, salário como investigadora de segunda classe da Polícia Civil e remuneração como servidora municipal — e precisaria comprovar apenas R$ 25 mil mensais para justificar a movimentação apontada na investigação.
De acordo com a Polícia Civil, ela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão, em quatro anos, R$ 1,2 milhão desse total transferido para a empresa de passagens aéreas que levou o prefeito de férias, em jatinho particular, no Caribe. Ele sustentou que os valores em espécie são de sua responsabilidade, oriundos de renda declarada. “As acusações são mentira. A operação só existe para sujar o nome do David”, declarou.
David afirmou que pedirá investigação da Polícia Federal sobre a Operação Erga Omnes. Segundo ele, a Prefeitura de Manaus não é alvo de nenhuma operação da PF nem do Gaeco. “O governo do Amazonas está instrumentalizando o Estado”, acusou. Ele citou que sete prefeitos de capitais lançaram candidatura ao governo e cinco teriam sido alvo de operações. “O governo Wilson Lima teve 11 operações da PF e na nossa não teve nenhuma”, afirmou.
O prefeito também declarou ter se sentido “intimidado e ameaçado”, justificando o rompimento com Omar Aziz. Disse ainda que chegou a indicar a própria filha para compor chapa como vice e que, depois disso, sentiu-se pressionado. Sobre a declaração de Eduardo Braga ao consórcio de portais G6, aconselhando diálogo com Omar, respondeu que é “independente e não é hierarquicamente subordinado a ninguém”, tomando decisões com base em suas convicções e ouvindo aliados.
Durante a coletiva, questionou a condução da investigação. Segundo ele, o delegado responsável pela Operação Erga Omnes teria feito 20 perguntas ao dono da agência de turismo, sendo 19 relacionadas ao prefeito. “Não estão investigando tráfico de drogas, mas tentando me sujar”, afirmou. Em tom contundente, atacou a gestão da segurança pública estadual. “Secretário de Segurança é uma vergonha”, disparou.
Ele também anunciou a intenção de criar uma academia de segurança para capacitar guardas municipais, inclusive com armamento, e levar o modelo para o interior do Estado.
Falando mais sobre a prisão de Anabela foi taxativo: “A prisão de Anabela se chama Wilson Lima”. Segundo ele, o objetivo seria tentar adiar o lançamento de sua campanha ao Governo. Afirmou que ela tem assessoria jurídica própria, mas garantiu que, se necessário, arcará com despesas. “Não jogo ninguém n’água”, disse.
No tabuleiro político, o cenário que até então apontava para uma possível união das máquinas estadual e municipal — com Renato Júnior e Tadeu de Souza assumindo titularidades estratégicas — sofreu ruptura pública. O rompimento com Tadeu parece consolidado e altera de forma significativa o desenho da disputa pelo Governo do Amazonas, neste 2026.
*Com informações do Portal do Marcos Santos





