ONG feminista entra com processo contra Erika Hilton após esta chamar mulheres de “imbeCIS”

Declarações com o termo geraram reações políticas distintas sobre o uso do termo e indignação de organização não-governamental
Deputada Erika Hilton (PSOL-SP) tentou calar mulheres na Comissão que preside na Câmara (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)
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A deputada federal Erika Hilton esteve no centro de uma controvérsia após declarações publicadas em redes sociais, feitas no contexto de sua eleição para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Em uma publicação, a parlamentar afirmou que não se importava com críticas e utilizou o termo “transfóbicos e ‘imbeCIS’” ao responder ataques que dizia estar recebendo.

A expressão gerou polêmica porque parte do público interpretou o termo como uma referência a mulheres cisgênero — ou seja, mulheres que se identificam com o sexo biológico de nascimento — o que teria sido entendido como uma ofensa generalizada.

A repercussão levou a ONG Matria a pedir a condenação da parlamentar, sob o argumento de que a fala teria caráter ofensivo contra mulheres e configuraria discurso incompatível com o cargo que ocupa à frente de uma comissão voltada à defesa dos direitos femininos. A organização sustenta que o uso do termo teria sido uma generalização e poderia ser interpretado como misoginia, defendendo que o caso seja analisado institucionalmente.

Além disso, a organização pede que a deputada seja multada em R$ 500 mil, como pegamento de danos morais coletivos causados às mulheres as quais ela ofendeu durante o discurso. Além da ONG, parlamentares e partidos também reagiram politicamente. Houve pedidos de investigação e até de cassação, sob a alegação de quebra de decoro parlamentar e desrespeito a mulheres.

Deputada respondeu às críticas

Erika Hilton afirmou que suas falas foram retiradas de contexto e que não se referiu a mulheres ou a deputadas, mas sim a pessoas que estariam promovendo ataques, ameaças e ofensas contra ela nas redes sociais. Segundo a parlamentar, as críticas foram direcionadas a “misóginos, transfóbicos e imbecis” que, segundo ela, estariam promovendo violência e discurso de ódio, e não a mulheres de forma geral.

O caso segue em tramitação na Justiça do Distrito Federal e, pelo fato de a deputada ter foro privilegiado, o caso poderá ser julgado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

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