A influenciadora digital Deolane Bezerra voltou ao centro de uma investigação policial nesta semana após ser presa em São Paulo durante uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Civil paulista contra um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital. Segundo informações divulgadas pela imprensa nacional, a influenciadora foi detida ao retornar de uma viagem internacional à Itália.
A nova fase da investigação amplia o cerco sobre pessoas próximas da influenciadora, incluindo familiares e empresas associadas ao seu patrimônio. Embora não haja, até o momento, confirmação oficial de prisão dos filhos de Deolane, relatórios de inteligência financeira e investigações anteriores apontam que contas ligadas à família passaram a ser analisadas por suspeitas de movimentações incompatíveis com a renda declarada.
Como os filhos de Deolane passaram a ser alvo da investigação
As investigações tiveram como ponto de partida relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram transferências consideradas atípicas entre empresas investigadas e contas vinculadas a familiares da influenciadora. Em apurações anteriores da Operação Integration, policiais já haviam apontado depósitos e transações envolvendo pessoas próximas da advogada, incluindo um de seus filhos, o que levantou suspeitas de possível utilização de terceiros para ocultação patrimonial e circulação de recursos ilícitos.
De acordo com investigadores, o objetivo agora é identificar se familiares tinham conhecimento da origem dos recursos movimentados ou se atuavam apenas como beneficiários indiretos das operações financeiras. A Polícia Civil também analisa contratos empresariais, compra de imóveis de alto padrão, veículos de luxo e movimentações em empresas ligadas ao núcleo familiar.
A defesa de Deolane nega qualquer irregularidade e sustenta que a influenciadora é alvo de perseguição e exposição pública indevida. Em manifestações anteriores, os advogados afirmaram que todas as atividades empresariais da influenciadora possuem documentação regular e recolhimento de impostos.
Modus operandi do esquema investigado
Segundo as investigações, o esquema atribuído ao PCC utilizaria empresas de fachada, plataformas de apostas, contratos publicitários e movimentações entre contas de terceiros para ocultar a origem do dinheiro oriundo do tráfico de drogas e de outras atividades criminosas.
A suspeita das autoridades é que influenciadores digitais, empresários e operadores financeiros teriam sido usados para dar aparência legal aos recursos ilícitos. Entre as estratégias identificadas pelos investigadores estão:
- movimentações fracionadas para evitar alertas bancários;
- uso de “laranjas” e empresas registradas em nome de terceiros;
- aquisição de bens de luxo;
- transferências cruzadas entre empresas de entretenimento, apostas e publicidade digital;
- contratos simulados para justificar circulação milionária de dinheiro.
Em operações relacionadas ao combate à lavagem de dinheiro envolvendo apostas ilegais e facções criminosas, autoridades já chegaram a bloquear cifras bilionárias. Apenas na Operação Integration, os bloqueios determinados pela Justiça ultrapassaram R$ 2 bilhões em ativos financeiros e patrimônios investigados.
Investigadores acreditam que o PCC tenha movimentado dezenas de milhões de reais por meio da rede investigada, embora o valor exato ainda esteja sob perícia financeira.
Próximos passos da investigação
A expectativa é que a Polícia Civil aprofunde a análise de quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático dos investigados nos próximos meses. Os investigadores também trabalham para rastrear a origem de depósitos internacionais, contratos com empresas de apostas e eventuais vínculos com operadores financeiros ligados ao crime organizado.
Além disso, novas oitivas devem ser realizadas com familiares, empresários e influenciadores que mantiveram relações comerciais com empresas investigadas. A Justiça ainda poderá determinar novos bloqueios patrimoniais, apreensão de bens e eventuais denúncias formais por lavagem de dinheiro, associação criminosa e organização criminosa.





