A virada do ano não trouxe o alívio esperado para o bolso do manauara. Pelo contrário: o endividamento em Manaus acelerou e atingiu o maior patamar da série recente. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), 616.956 famílias iniciaram janeiro de 2026 com contas a vencer.
Isso significa que 87,2% das famílias da capital estão comprometidas com algum tipo de dívida, superando tanto o fechamento de 2025 quanto o índice registrado no início do ano passado.
O raio-x do sufoco financeiro
A realidade financeira em Manaus exige planejamento e malabarismo. Em média, o consumidor compromete mais de um terço da renda (34,1%) apenas para quitar boletos e prestações.
– Tempo médio de quitação: o manauara leva, em média, 28 semanas para regularizar a situação.
– Atraso médio: quem não consegue pagar em dia já acumula, em média, 65 dias de inadimplência.
– Inadimplência: o índice de famílias com contas em atraso chegou a 48,9%.
O cenário é ainda mais preocupante entre aqueles que já não veem saída: 18,1% admitem que não terão condições de pagar as dívidas.
O “vilão” de plástico: cartão de crédito lidera
O principal responsável pelo endividamento tem nome e cabe na carteira: o cartão de crédito. Ele aparece como a principal modalidade de dívida para 73,9% dos endividados.
O problema está nas taxas. De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), o cartão segue como uma das modalidades mais caras do país, com juros médios de:
– 15,22% ao mês
– 447,44% ao ano
Logo atrás do cartão, os carnês (54,6%) continuam sendo alternativa frequente — especialmente entre famílias de menor renda —, seguidos pelo crédito pessoal (21,5%).
O perfil do endividado em Manaus
A sensação de sufoco financeiro também aumentou. Quase 20% das famílias se consideram “muito endividadas”, percepção mais comum entre aquelas com menor renda.
A confiança na recuperação é baixa: apenas 17,5% acreditam que conseguirão quitar todas as dívidas já no próximo mês. Para agravar o quadro, 49,2% dos inadimplentes estão com pendências há mais de 90 dias, o que dificulta renegociações e amplia o risc?o de restrições de crédito.





