Greve dos funcionários da Caixa começa nesta quinta-feira em todo o país

Bancários rejeitaram a proposta de renovação do acordo coletivo e cobram mudanças no Saúde Caixa, reajuste salarial com ganho real e retomada das negociações com o banco
Funcionários da Caixa exigem reestruturação em principal plano de saúde e demais reajustes (Foto: Enilton Kirchhof/Divulgação)
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Os empregados da Caixa Econômica Federal iniciaram nesta quinta-feira (10) uma greve nacional por tempo indeterminado, após a categoria rejeitar a proposta apresentada pelo banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas nos dias 3 e 4 de setembro, depois de uma ampla rejeição à proposta da instituição.

O principal ponto de conflito é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados, aposentados, pensionistas e seus dependentes. A categoria considera que a proposta apresentada pela Caixa transfere uma parcela maior dos custos para os usuários e se afasta do modelo histórico de divisão das despesas.

Impasse no Saúde Caixa

A proposta apresentada pela Caixa previa alterações importantes no modelo de custeio do plano. Entre elas estava a elevação da contribuição dos titulares da ativa, que poderia passar de 3,5% para até 5,5% da remuneração-base, além do aumento das mensalidades cobradas por dependentes.

Segundo informações divulgadas pelo movimento sindical, a proposta também poderia elevar o limite de comprometimento da renda familiar com o plano. A representação dos trabalhadores argumenta que essas mudanças fariam com que parte significativa do reajuste salarial conquistado na campanha fosse consumida pelo aumento dos gastos com assistência médica.

O principal argumento dos representantes dos empregados é que a Caixa deveria retomar efetivamente o modelo histórico de 70% de participação do banco e 30% dos usuários no custeio do Saúde Caixa. A categoria também reivindica o fim do limite de 6,5% da folha de pagamentos para a participação da instituição nas despesas do plano.

Na avaliação dos sindicatos, a manutenção desse teto faz com que o crescimento das despesas médicas seja absorvido progressivamente pelos empregados, aposentados e pensionistas. A Caixa, por sua vez, defende a necessidade de garantir a sustentabilidade financeira do plano e afirma que permanece aberta ao diálogo para a renovação do acordo coletivo.

Em termos simples, o conflito funciona como uma disputa de custeio: trabalhadores querem preservar uma participação maior do banco, enquanto a proposta apresentada pela Caixa aumenta o peso financeiro sobre os beneficiários.

Reajustes reivindicados pelos funcionários

Na campanha salarial de 2026, os bancários reivindicaram reposição integral da inflação medida pelo INPC, acrescida de 5% de aumento real para salários e demais verbas econômicas. A reivindicação também contempla PLR, vale-alimentação e vale-refeição.

Além do reajuste, a pauta da categoria inclui:

  • aumento da PLR;
  • valorização do vale-alimentação e do vale-refeição;
  • defesa do emprego e ampliação da rede de atendimento;
  • manutenção dos direitos previstos na Convenção Coletiva;
  • combate às metas abusivas;
  • medidas de proteção à saúde mental;
  • melhorias nas condições de trabalho;
  • manutenção e fortalecimento do Saúde Caixa.

É importante separar duas questões: o reajuste salarial é uma reivindicação geral da categoria bancária, enquanto o Saúde Caixa integra uma negociação específica dos empregados da Caixa. O acordo geral dos bancários prevê, para os trabalhadores que aceitaram a convenção, reajuste correspondente ao INPC do período mais 0,6% de ganho real, mas os empregados da Caixa rejeitaram a proposta específica apresentada pelo banco.

Contraf-CUT foi chamada para retomar negociações

Diante da rejeição da proposta e da decisão pela greve, a Caixa convocou a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) para uma nova rodada de negociação.

O banco enviou o convite à entidade na terça-feira (8), e uma nova reunião foi realizada na quarta-feira (9), em São Paulo. A negociação envolve a Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa), que representa os trabalhadores nas discussões específicas com a instituição.

A Contraf-CUT é uma das entidades que representam nacionalmente os trabalhadores do setor financeiro e participa tanto das negociações gerais da categoria com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) quanto das negociações específicas com a Caixa.

Mesmo com a retomada das negociações, a greve foi mantida para esta quinta-feira. A expectativa dos representantes dos trabalhadores é que uma nova proposta seja apresentada e possa ser submetida posteriormente às assembleias da categoria. A Caixa declarou que mantém aberto o diálogo e busca um entendimento que contemple os interesses dos empregados, a sustentabilidade da instituição e a continuidade dos serviços prestados à população.

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