A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29), uma nova fase da chamada Operação Contenção, com foco na desarticulação do braço financeiro do Comando Vermelho (CV). Entre os alvos estão o rapper Oruam, sua mãe e seu irmão, contra os quais foram expedidos mandados de prisão preventiva pela 1ª Vara Criminal Especializada em Crime Organizado da Capital.
Ao todo, foram cumpridos 12 mandados, em uma ofensiva que também atinge integrantes considerados estratégicos na estrutura de lavagem de dinheiro da facção criminosa.
De acordo com as investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), o núcleo familiar do artista é apontado como peça-chave na movimentação de recursos ilícitos provenientes do tráfico de drogas.
As autoridades destacam como elementos considerados “contundentes”:
- Relação direta com lideranças do CV: Oruam é filho de Marcinho VP, apontado como um dos principais líderes da facção, e também investigado nesta fase da operação.
- Participação em rede financeira suspeita: a polícia sustenta que familiares teriam atuado na movimentação e ocultação de valores oriundos do tráfico, integrando o braço econômico da organização.
- Histórico de investigações anteriores: o rapper já havia sido indiciado por crimes como associação ao tráfico e resistência, o que reforça, segundo investigadores, o vínculo com o ambiente criminoso.
Embora a defesa do artista costume negar envolvimento direto com atividades ilícitas, a atual fase da investigação amplia o foco para o suposto papel financeiro do grupo familiar.
Mecanismos usados pela facção inseriam dinheiro ilícito no mercado formal
A operação também revelou detalhes sobre os métodos empregados pelo Comando Vermelho para inserir dinheiro ilegal no mercado formal — um dos pontos centrais da investigação.
Segundo a Polícia Civil, o esquema inclui:
- Empresas de fachada e laranjas: utilizadas para justificar movimentações financeiras e diluir a origem dos recursos ilícitos;
- Sistemas digitais de transferência: uso de plataformas eletrônicas e operações fragmentadas para dificultar o rastreamento do dinheiro;
- Integração com atividades legais: investimentos em setores formais para “esquentar” valores provenientes do tráfico;
- Estrutura descentralizada: divisão de funções entre membros da organização para reduzir riscos de identificação direta.
As autoridades apontam que o CV vem sofisticando seus mecanismos financeiros, com estratégias comparáveis às utilizadas em esquemas de lavagem de dinheiro de grande escala.
Próximos passos das investigações
A Polícia Civil informou que a operação desta quarta-feira representa apenas uma etapa de um conjunto mais amplo de ações contra o grupo criminoso.
Entre os próximos passos estão:
- Análise de materiais apreendidos, incluindo dispositivos eletrônicos e documentos financeiros;
- Rastreamento de fluxos de dinheiro, com apoio de órgãos de inteligência e cooperação com instituições bancárias;
- Identificação de novos envolvidos, ampliando o alcance da investigação para outros operadores financeiros;
- Possíveis novas fases da operação, com foco na expansão territorial e econômica da facção.
A polícia também não descarta novas prisões e bloqueios de bens, à medida que o esquema financeiro seja detalhado.





