O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira, afirmou, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, que “ócio demais faz mal” ao comentar o debate em torno do possível fim da escala 6×1 — modelo de jornada em que o trabalhador atua seis dias consecutivos e descansa um.
A declaração foi dada em meio às discussões sobre mudanças nas regras trabalhistas, tema que tem ganhado espaço no cenário político e econômico do país.
“Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, tem que ter lazer, mas ócio demais faz mal”, afirmou. “Vai ficar mais exposto a drogas, a jogo de azar. Pode ser o contrário, ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou no sertão lá do Nordeste?”.
Marcos também criticou a votação da PEC em ano eleitoral, classificando a ação como sensível e que pode expor a Câmara dos Deputados a pressões políticas. Ele argumenta que o debate precisa considerar impactos econômicos e sociais antes de qualquer mudança na legislação.
“Às vezes até tem que votar [a favor] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra, por exemplo. Estou preocupado”, disse.
O que está em debate
A escala 6×1 é comum em setores como comércio, supermercados, serviços e parte da indústria. Propostas de alteração defendem jornadas com mais dias de descanso ou redução da carga semanal, sob o argumento de que isso pode melhorar a qualidade de vida e a saúde mental dos trabalhadores.
Por outro lado, representantes de setores empresariais demonstram preocupação com possíveis impactos econômicos, como aumento de custos operacionais e necessidade de contratação adicional de pessoal.
Ao dizer que “ócio demais faz mal”, Marcos Pereira sinaliza uma posição favorável à manutenção de um ritmo de trabalho considerado produtivo, defendendo que o trabalho exerce papel central na organização social e no desenvolvimento econômico.
A declaração repercutiu nas redes sociais e entre lideranças sindicais, reacendendo o debate sobre equilíbrio entre produtividade, geração de empregos e bem-estar do trabalhador.
Próximos passos
Até o momento, não há definição concreta sobre mudanças na legislação relacionada à escala 6×1. O tema segue sendo discutido por parlamentares, entidades empresariais e representantes de trabalhadores.





