O Governo do Amazonas decretou estado de Emergência Climática e Ambiental em caráter preventivo por um período inicial de 180 dias. A medida foi adotada diante das projeções meteorológicas que apontam elevado risco de formação do fenômeno El Niño entre o segundo semestre de 2026 e o início de 2027, cenário que pode provocar redução das chuvas, aumento das temperaturas e agravamento da seca em diversas regiões do estado.
De acordo com o decreto estadual publicado pelo governador Roberto Cidade, a decisão foi baseada em análises técnicas realizadas por órgãos de monitoramento climático e pela Defesa Civil do Amazonas, que identificaram condições favoráveis para a ocorrência de estiagem severa, escassez hídrica, queimadas e incêndios florestais.
Entre os municípios que já apresentam sinais de seca mais intensa ou redução dos níveis dos rios estão cidades das calhas dos rios Madeira, Purus e Solimões, como Boca do Acre, Lábrea, Humaitá, Apuí, Manicoré, Novo Aripuanã e Pauini. Técnicos também monitoram com atenção municípios do Alto Solimões e Médio Amazonas, onde os impactos podem se intensificar nos próximos meses.
Com o decreto, o Governo do Estado pretende fortalecer a atuação integrada de órgãos estaduais e municipais para reduzir os efeitos da estiagem antes que a situação atinja níveis críticos. Entre as principais medidas previstas estão o reforço do monitoramento hidrológico e meteorológico, a ampliação das ações de prevenção e combate a incêndios florestais, a preparação de estoques estratégicos de água potável, alimentos e medicamentos, além do planejamento logístico para assistência humanitária às populações mais vulneráveis.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros Militar e demais órgãos estaduais deverão atuar de forma coordenada no acompanhamento dos indicadores climáticos e na execução de ações preventivas.
Na área da saúde, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-RCP) e a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) deverão monitorar possíveis impactos relacionados às ondas de calor, à piora da qualidade do ar causada por queimadas e ao aumento de doenças associadas às condições climáticas extremas.
O decreto também prevê ações voltadas ao setor produtivo. A Secretaria de Produção Rural (Sepror) deverá orientar produtores rurais, pescadores e aquicultores sobre medidas para minimizar prejuízos causados pela redução da disponibilidade de água e pelas alterações climáticas previstas para os próximos meses.
Segundo o Governo do Amazonas, a declaração de emergência não significa que o estado já enfrenta uma situação de desastre, mas permite que as instituições públicas atuem de forma antecipada, fortalecendo a capacidade de resposta diante de um cenário que pode repetir ou até superar os impactos observados durante eventos climáticos extremos registrados nos últimos anos.
A vigência do decreto poderá ser prorrogada caso os órgãos oficiais de monitoramento identifiquem a manutenção ou agravamento das condições climáticas adversas ao longo do período de estiagem.





