Uma investigação do Departamento de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), em Manaus, deflagrada no dia 17 de outubro e revelada no último domingo, pelo Fantástico, da TV Globo, revelou um esquema sofisticado de tráfico de drogas em uma mansão de luxo, localizada no bairro Ponta Negra. A propriedade pertence a Liége Aurora Pinto da Cruz, de 74 anos, conhecida por ser a sócia-adminstradora de quatro lojas Arezzo na cidade.
Durante a operação, foram apreendidos 40 kg de “cocaína negra”, uma versão da droga quimicamente alterada para dificultar a identificação, avaliada em cerca de R$ 19,5 milhões.
A cocaína negra estava escondida em compartimentos secretos dentro de móveis de luxo, atrás de quadros decorativos e até em helicóptero no imóvel, segundo as investigações. A técnica usada para disfarçar a droga envolve a mistura com carvão ativado e toner, o que dificulta a detecção tanto por cães farejadores como por testes químicos convencionais.
A proprietária da mansão, Liege Aurora, prestou depoimento à polícia e afirmou que os entorpecentes foram encontrados em um anexo destinado à moradia dos caseiros, casal de peruanos que trabalha na residência há mais de dez anos. A defesa da empresária reforça que ela se colocou à disposição das autoridades, e que ela frequentava o imóvel apenas esporadicamente nos fins de semana e que estava fora do país na data da ação.
O delegado-geral Bruno Fraga comentou sobre a complexidade do esquema: a “engenharia criminosa” empregada eleva o valor da droga no mercado. As autoridades investigam agora as possíveis conexões internacionais do esquema, inclusive com redes que exportariam a droga para a Europa e a Ásia.
Durante as buscas, os agentes ainda encontraram cadernos com anotações ligadas ao tráfico, além de balanças de precisão, reforçando que o imóvel funcionava como ponto de armazenamento e distribuição de drogas.





