Sete réus envolvidos na morte de Djidja Cardoso foram condenados à prisão em Manaus

Processos fazem parte da Operação Mandrágora e seus desdobramentos, que desarticulou um esquema ilegal de venda de cetamina e outras substâncias ilícitas
Mãe e filho receberam as maiores penas e poderão cumprir a sentença em regime fechado, sem direito a responder em liberdade (Foto: Reprodução)
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A 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes, por decisão da juíza Roseane do Vale Cavalcante Jacinto, modificou as penas a serem impostas aos sete réus da Operação Mandrágora e seus desdobramentos, que foram envolvidos na morte da ex-sinhazinha do Boi-Bumbá Garantido, Djidja Cardoso.

A sentença se deu dez meses após uma decisão da Câmara Criminal anular as primeiras sentenças de prisão proferidas em dezembro de 2024, por um erro de direito do Ministério Público do Amazonas, em que os laudos toxicológicos das drogas apreendidas serem anexadas ao processo após as alegações finais.

Após a revisão da sentença em primeira instância, Cleusimar Cardoso e Ademar Farias Cardoso, mãe e irmão de Djidja, foram condenados a 10 anos e 11 meses de reclusão por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ambos em regime fechado, sem direito a recorrer em liberdade.

Verônica Seixas, ex-gerente do salão Belle Femme, Hatus Moraes Silveira, personal trainer, e José Máximo Silva de Oliveira, médico veterinário e proprietário da clínica MaxVet, foram condenados a 10 anos de reclusão em regime fechado.

Sávio Soares Pereira, funcionário da MaxVet, foi condenado a nove anos de prisão em regime semiaberto, por negociar as drogas proibidas através de mensagens pelo WhatsApp. Já o ex-namorado de Djidja, Bruno Roberto da Silva Lima, teve sua pena fixada em 8 anos e 6 meses de reclusão em regime fechado, por participar ativamente da logística de aquisição da droga e incentivo ao seu consumo.

Nos casos de Verônica, Sávio e Bruno, a Justiça concedeu o direito de estes responderem em liberdade condicional ao cumprimento de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

O Caso Djidja: uso do salão Belle Femme e a seita “Pai, Mãe, Vida”

Segundo a investigação da Polícia Civil do Amazonas, levada em consideração pela Justiça, Cleusimar Cardoso e Ademar Cardoso lideravam o grupo denominado “Pai, Mãe, Vida”, que utilizava a estrutura da rede de salões Belle Femme para recrutar e manter funcionários e pessoas próximas sob influência dos líderes. De acordo com o inquérito, os participantes eram levados a encontros em que a cetamina (ketamina) era apresentada como um meio de alcançar uma suposta evolução espiritual, e o uso contínuo da substância provocaria estados de dissociação e dependência, facilitando o controle psicológico dos integrantes.

As investigações também apontaram que a clínica veterinária MaxVet, ligada ao médico-veterinário José Máximo, era utilizada para obter a cetamina empregada nos rituais. Além de Cleusimar e Ademar, o inquérito cita como integrantes do núcleo investigado Bruno Roberto (ex-noivo de Djidja Cardoso), Verônica Seixas (ex-gerente da Belle Femme), Hatus Silveira (coach) e o próprio José Máximo.

Segundo a Polícia Civil, o grupo combinava a relação de trabalho na Belle Femme, a doutrinação religiosa e o uso da cetamina para exercer influência sobre os participantes. A defesa dos investigados nega a existência de uma seita organizada e contesta as acusações, que ainda são objeto de análise pela Justiça.

O motoboy Emicley Araújo Freitas, a maquiadora Claudiele Santos da Silva e o maquiador Marlisson Vasconcelos Dantas foram absolvidos por não haver provas suficientes que os condenasse pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico.

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