Teatro Amazonas pode ganhar título da Unesco e abrir nova oportunidade para o turismo do estado

Chancela da Unesco amplia prestígio internacional, mas especialistas alertam: título só gera impacto no turismo quando acompanhado de investimentos
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Nos próximos dias, o Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco deve decidir se o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, passarão a integrar a Lista do Patrimônio Mundial como o conjunto “Teatros da Amazônia”. Se aprovada, a candidatura representará um reconhecimento internacional ao valor histórico, arquitetônico e cultural de dois dos principais símbolos da região amazônica.

Mais do que um título, o reconhecimento pode abrir novas oportunidades para o desenvolvimento do turismo no Amazonas. Isso porque a chancela da Unesco funciona como um selo de relevância internacional. Estudos apontam que destinos reconhecidos como Patrimônio Mundial tendem a ganhar maior visibilidade, despertando o interesse de visitantes que buscam experiências culturais e históricas.

Uma pesquisa publicada em 2023 na Revista Brasileira de Estudos Regionais e Urbanos concluiu que o reconhecimento da Unesco exerce influência positiva sobre o fluxo turístico justamente por servir como um sinal internacional de qualidade e autenticidade.

Para o ex-presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Jender Lobato, o reconhecimento reforça a posição do Teatro Amazonas como um dos principais atrativos culturais da região.

“O Teatro Amazonas já é um equipamento cultural conhecido internacionalmente. Com o reconhecimento da Unesco, ele ganha ainda mais relevância e desperta o interesse de visitantes que buscam experiências culturais”, afirma.

Além da projeção internacional, a inscrição na Lista do Patrimônio Mundial amplia o compromisso do país com a preservação do patrimônio. Os bens reconhecidos pela Unesco devem contar com políticas permanentes de conservação e gestão, garantindo a proteção de seus valores históricos, arquitetônicos e culturais.

Embora o selo represente uma oportunidade para fortalecer a cadeia econômica ligada ao turismo, especialistas alertam que o reconhecimento, por si só, não assegura aumento no número de visitantes nem geração automática de emprego e renda.

Segundo Jender Lobato, o título pode representar uma oportunidade para consolidar o Amazonas como destino de turismo cultural, desde que seja acompanhado de políticas públicas:

“O reconhecimento da Unesco é um convite para que o mundo conheça ainda mais o Amazonas. Mas ele precisa ser acompanhado de planejamento. É necessário fortalecer a promoção turística, valorizar nossos equipamentos culturais, qualificar os serviços e integrar cultura, turismo e economia criativa para que esse reconhecimento se transforme em emprego, renda e oportunidades para a população”, afirma.

Experiências brasileiras mostram que, quando acompanhada de planejamento, a chancela internacional pode gerar resultados concretos. Em Congonhas, Minas Gerais, o Museu de Congonhas, inaugurado em 2015 ao lado do conjunto dos Profetas de Aleijadinho, Patrimônio Mundial da Unesco desde 1985, recebeu mais de 150 mil visitantes no primeiro ano de funcionamento, impulsionando a atividade turística e cultural da região.

Estudos sobre a cidade de Goiás (GO), Patrimônio Mundial desde 2001, mostram que o título, isoladamente, não foi suficiente para consolidar o município como um dos principais destinos turísticos do país. A experiência evidencia que o reconhecimento precisa ser acompanhado de investimentos em infraestrutura, promoção turística, qualificação de serviços e valorização do patrimônio para produzir impactos duradouros.

Caso a candidatura dos Teatros da Amazônia seja aprovada, o Amazonas passará a ter uma oportunidade inédita de ampliar sua presença no cenário turístico internacional. No entanto, transformar esse reconhecimento em desenvolvimento dependerá da capacidade de articular políticas públicas, fortalecer a cadeia produtiva do turismo e integrar cultura, economia e preservação.

Pré-candidato a deputado estadual, Jender Lobato é advogado, gestor cultural e foi presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), onde coordenou políticas voltadas à valorização do patrimônio histórico, à promoção de grandes eventos e ao fortalecimento do turismo cultural em Manaus. A experiência à frente da pasta fez com que passasse a defender o fortalecimento do turismo cultural como instrumento de desenvolvimento econômico e valorização do patrimônio amazônico.

A decisão do Comitê do Patrimônio Mundial é aguardada para os próximos dias, durante a 48ª sessão da Unesco, realizada em Busan, na Coreia do Sul.

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