A manhã desta quarta-feira (27) foi marcada por transtornos no trânsito e no transporte coletivo de Manaus após uma paralisação promovida por trabalhadores rodoviários e entidades sindicais em defesa do fim da escala de trabalho 6×1. A mobilização afetou principalmente o Terminal de Integração 1 (T1), na avenida Constantino Nery, uma das principais vias da capital amazonense, provocando congestionamentos, plataformas lotadas e longas caminhadas de passageiros que precisavam chegar ao trabalho e à escola.
Segundo os organizadores, o protesto teve como principal objetivo pressionar o Congresso Nacional a avançar com a proposta que prevê mudanças na jornada de trabalho atualmente adotada por diversas categorias profissionais. Os manifestantes defendem o fim do modelo 6×1 — no qual o trabalhador atua por seis dias consecutivos e descansa apenas um — e a adoção de uma jornada com mais dias de folga, sem redução salarial.
A paralisação foi liderada pelo Sindicato dos Rodoviários de Manaus, presidido por Givancir Oliveira, e contou com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico de Manaus e do Estado do Amazonas (Sindplast), do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindipetro-AM) e do Sindicato dos Metalúrgicos. As entidades classificaram o ato como parte de uma mobilização nacional em defesa dos direitos trabalhistas.
Quanto à duração, há relatos de que o movimento se estendeu entre uma hora e uma hora e meia, enquanto outras fontes apontam que a paralisação alcançou aproximadamente duas horas antes da retomada gradual da circulação dos ônibus. A Prefeitura de Manaus informou que o sistema começou a ser normalizado por volta das 8h.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) afirmou ter sido surpreendido pelo movimento e declarou que não houve aviso prévio à população, às empresas operadoras ou às autoridades competentes. A entidade também alegou que a paralisação contrariou uma decisão judicial que determina a manutenção mínima da operação do transporte coletivo por se tratar de um serviço essencial.
Próximos passos
A mobilização ocorre no mesmo dia em que uma comissão especial da Câmara dos Deputados analisa o parecer relacionado à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da extinção da escala 6×1. Caso o parecer seja aprovado, o texto seguirá para as próximas etapas de tramitação no Congresso Nacional, incluindo votação em plenário. Os manifestantes afirmam que a pressão popular e as mobilizações pelo país têm como objetivo acelerar a análise da proposta e ampliar o debate sobre a redução da jornada de trabalho no Brasil.





